quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pedágio do Trecho Sul deve começar neste mês


A cobrança de pedágio no Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas deve ser antecipada para julho. O Consórcio SPMar – responsável pela administração da rodovia – já cumpriu mais de 70% das obrigações previstas no contrato de concessão e pretende encerrar tudo até o próximo mês. Após essa data, caberá à Artesp, agência reguladora estadual dos serviços de transporte, auditar as ações e aprovar o início da cobrança.

O contrato de concessão foi assinado no dia 10 de março. O consórcio vencedor da licitação ficou responsável pelas obras de construção do Trecho Leste e também pela administração do Sul, podendo em contrapartida explorar os pedágios. A cobrança deve ter início em até seis meses a partir da assinatura e após a conclusão de algumas intervenções, como a instalação de placas de sinalização e reparos no asfalto.
“Não vou falar em início da cobrança de pedágio, porque isso quem define é a Artesp. Mas eu acredito que é possível completar meus trabalhos até julho e aí vai ser submetido à Artesp que vai aprovar a cobrança”, diz o diretor executivo do consórcio SPMar, Marcelo de Afonseca, na manhã desta quinta-feira, durante evento no qual apresentou um balanço dos três primeiros meses de concessão da rodovia.

O consórcio SPMar venceu a licitação em novembro do ano passado após propor o menor valor para o pedágio do Trecho Sul: R$ 2,19. A correção do valor pelos índices de inflação deve fazer com que o pedágio fique entre R$ 2,40 e R$ 2,50. Haverá praças de pedágio em todas as saídas da via, mas os motoristas só pagarão uma única vez.

Um dos principais problemas no Trecho Sul, a falta de sinal de celular em determinadas regiões, deve ser integralmente resolvido apenas no fim do ano. A instalação das torres de telefonia começou apenas em março e estão atualmente em operação 9 das 14 previstas – o que proporciona uma cobertura em 70% da rodovia. A previsão é que as demais torres entrem em operação até dezembro.

A comunicação também é agravada porque os telefones de emergência (call box) estão previstos para até março do ano que vem. O SPMar afirma que intensificou as rondas com as viaturas para chegar mais facilmente a pessoas com problemas. “Coloquei todos os meus veículos para rodar e não apenas as viaturas de inspeção. Fazem o trajeto também os guinchos e o veículo de apreensão de animais. Por isso nós passamos em média a cada 15 minutos em cada ponto da rodovia”, diz Afonseca.

Nos três meses, foram registrados 45 acidentes, sendo que em metade deles houve feridas. Duas pessoas morreram. O consórcio também atendeu nesse período 5,2 mil motoristas com problemas mecânicos, pneu furado, entre outros fatores – em média um a cada 30 minutos.

- “O BID NÃO APROVOU O PROJETO AINDA”

Reunião em hotel na Zona Sul com BID, Dersa e ambientalistas.

"O BID não aprovou o projeto ainda, estamos em processo de análise. O processo não foi aprovado, estamos em fase de colher subsídios para melhoria do projeto." Palavras da eng. Vera Lúcia, representante do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento no Brasil, responsável pelo projeto de financiamento internacional do Rodoanel Trecho Norte. Essa declaração foi dada em reunião no dia 12 de Julho, ao ser questionada sobre o uso do logotipo do BID e divulgação na imprensa, de que a aprovação já estaria consagrada pelo banco, antes mesmo da Licença Ambiental prévia consedida pelo CONSEMA. O financiamento, portanto, ainda não está decretado.

 A reunião aconteceu em uma sala do hotel Tryp no Itaim Bibi, com presença, por parte do BID , de Andrés Consuega, advogado, Maria da Cunha, gestão social, Ernani Pilla, da salvaguarda de Washington.  Presentes também Marcelo Arreguy do Dersa, Ana Maria Iverson e Carlos Aranha da JGP,  Dr. Gilberto Leme do MPE, com os técnico Roberto, biólogo e Denis, geógrafo, Carlos Bocuhy, representante da Proam e do Conama, e os técnicos da sociedade civil, responsáveis pelo Counter Rima, que gerou essa reunião: Mauro Vitor, Marco Martins, prof. Antonio Manoel, eng. Mario Santos, dr. Betarello e dr. Carlos Eduardo.

Reunião em hotel na Zona Sul com BID, Dersa e ambientalistas.

O tom técnco-jurídico da reunião demonstrou o alto nível das preocupações ecossistêmicas com a Serra da Cantareira. A afirmação do promotor de que deve entrar breve com a ação civil pública contra a obra ante os argumentos expostos brilhantemente pelos técnicos do MPE agradou aos ambientalistas. A dúvida pairou sobre os andamentos do processo, uma vez que mesmo o BID talvez seja indagado em em Washington sobre esse assunto.

 Continua a luta para que, como um dia insinuou o então governador José Serra, possamos ter em São Paulo uma “rodoferradura”, com traçado zero ao Norte da cidade.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Faltou planejamento antes e durante as obras do trecho sul do Rodoanel


É fato que grandes construções como o Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas provocam mudanças sociais em seu entorno. As mulheres da região que engravidaram de funcionários da obra, como o Diário evidenciou na edição de ontem, são um exemplo disso. Os transtornos poderiam ser minimizados se houvesse planejamento adequado e trabalho de prevenção antes e durante a execução do anel viário. Esta é a avaliação do sociólogo da Universidade Metodista Oswaldo de Oliveira Santos Júnior.

O especialista explicou que o aumento no número de grávidas em comunidades vizinhas à obra não foi exclusividade do Rodoanel. "Toda grande intervenção tem esse impacto social no País, porque atrai muitos homens de várias regiões em busca de trabalho. Muitas vezes eles criam vínculos frágeis com o lugar e, ao terminar a obra, voltam para onde moravam, deixando mulheres e crianças para trás", destacou.

Para Santos Júnior, intervenções desse porte deveriam prever o impacto social que causarão à população. "Antes e durante as obras deveria ser feito um trabalho de orientação com essas mulheres, de forma a enfatizar a questão sexual e o planejamento familiar", disse.

Como isso não foi feito na região, resta ao poder público cuidar dos filhos do Rodoanel. "Essas mulheres precisam ser acolhidas na rede pública de Saúde e Educação. Elas vêm de comunidades que enfrentavam problemas antes mesmo do início das obras", afirmou.

PODER PÚBLICO
Jardim Represa, Canaã e Batistini são alguns dos bairros de São Bernardo nos quais o Diário encontrou filhos de funcionários da obra. Segundo a diretora do departamento de atenção básica da cidade, Isabel Fuentes, duas equipes do Programa Saúde da Família começaram a atuar na região no início de 2010, quatro meses antes da entrega do complexo viário.

O objetivo do programa, conforme assumiu Isabel, é exatamente orientar e promover o diálogo entre os serviços de Saúde e os moradores. "Ações desse tipo poderiam ter diminuído o número de mulheres grávidas, embora levantamentos da Secretaria de Saúde não tenham identificado aumento significativo de gestações naquela região", afirmou.

As prefeituras de Mauá e Santo André, que também abrigaram canteiros de obras do Rodoanel, não fizeram nenhum levantamento específico para determinar se houve aumento no número de grávidas nas regiões vizinhas à construção. Elas se limitaram a informar que, se houve, mulheres e filhos serão atendidos na rede pública de Saúde e Educação das cidades, o que é direito de todo e qualquer cidadão.

Rodoanel separa comunidades vizinhas, afirma especialista

Ao invés de trazer benefícios e progresso às comunidades vizinhas, o Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas acentuou as diferenças sociais entre elas e o restante das cidades do Grande ABC.

O sociólogo da Universidade Metodista Oswaldo de Oliveira Santos Júnior destacou que a forma como o anel viário foi construído separou comunidades e criou dificuldades de acesso a serviços básicos como Saúde e Educação. "As pessoas que vivem ao lado da rodovia não têm acesso a ela. A riqueza que trafega pelo Rodoanel não chega às mãos de quem mais precisa", afirmou.

Na opinião de Santos Júnior, o Rodoanel, ao invés de integrar, criou mais abismos sociais. "O planejamento se limitou à Secretaria de Transportes, sem pensar nas demais consequências", criticou.

Do Diário do Grande ABC