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terça-feira, 26 de julho de 2011

Obra de R$ 17 milhões no Rodoanel tem falha e não pode ser inaugurada



Uma falha no projeto impede a abertura da principal ligação do Trecho Sul do Rodoanel para a Rodovia Régis Bittencourt, em Embu das Artes. A alça de acesso está totalmente pronta há mais de um ano, com as faixas pintadas no asfalto e as placas de limite de velocidade colocadas. No entanto, a obra de R$ 17 milhões não pode ser inaugurada, pois, do jeito que está, há risco de acidentes para os veículos que chegam na Régis.

A alça de acesso ficou pronta em junho do ano passado – dois meses após a inauguração do Trecho Sul. Há outra ligação com a Régis Bittencourt, aberta com a inauguração do Trecho Oeste (2002), mas é longa, cheia de curvas e feita para baixa velocidade. A nova alça é uma ligação direta com a pista expressa da rodovia.

Mas a nova ligação não obtém a liberação para o tráfego da concessionária que administra a Régis Bittencourt (Autopista Régis Bittencourt) nem da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O argumento é que ela é insegura, pois há um afunilamento no final da alça, bem no encontro com a Régis Bittencourt. Essa situação exige que os motoristas reduzam a velocidade para entre 40 km/h e 60 km/h.

O problema é que esses veículos vão dividir espaço com os que trafegam na Régis Bittencourt, a uma velocidade de até 90 km/h. “Sob o ponto de vista da segurança, essa geometria apertada no final é totalmente inadequada e pode haver conflito e acidentes”, disse o engenheiro de tráfego Horácio Augusto Figueira. Ele acrescenta que é necessário um trecho segregado, de 500 metros, para os veículos ganharem velocidade.

Essa é justamente uma das exigência da concessionária responsável pela rodovia. A previsão é que a abertura leve pelo menos mais dois meses. Um novo projeto da empresa de Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa) – ligada ao governo estadual e responsável pelas obras do Rodoanel – foi aprovado pela ANTT e pela Autopista. Para viabilizar mais rapidamente, não será preciso de imediato a construção de uma outra faixa, mas os caminhões e ônibus não poderão usar a nova ligação.

A Dersa afirma que não houve erro no projeto, que foi apreciado e aprovado pelas autoridades federais. A empresa atribui a demora à concessionária, que teria pedido para adiar a abertura, pois faria melhorias no asfalto. Depois, a Autopista teria modificado as exigências para a abertura.

Enquanto a nova alça não é aberta, os motoristas usam o acesso antigo. É uma ligação cheia de curvas, feita em baixa velocidade, que provoca congestionamentos, além de riscos de acidentes.

Os moradores e pessoas que trabalham no Bairro Vista Alegre reclamam que chegam a levar até uma hora para percorrer o trecho entre o fim do acesso do Rodoanel até a entrada da cidade.

Do Contexto Livre

domingo, 24 de julho de 2011

Folha descobre a falta de "planejamento" tucano, PSDB é o verdadeiro pai dos "filhos do Rodoanel"

Dezenas engravidaram e foram abandonadas com filhos por trabalhadores 
São Bernardo do Campo teve aumento de 31% de gestantes, em 2008; prefeitura diz que não há relação nos casos

Edicleide, 39, conheceu "Ceará", 48, em 2009, num forró. Ele, operário do trecho sul do Rodoanel. Ela, moradora do Jardim Represa, bairro de São Bernardo do Campo, vizinho à obra inaugurada em março de 2010.

Namoraram, juntaram, ela engravidou, ele ficou com outra (que também engravidou), brigaram, ele sumiu.

O filho foi registrado, mas nunca recebeu um centavo de pensão. O paradeiro de "Ceará" é desconhecido.

Hoje, ela vive em uma casa de dois cômodos com o auxílio do Bolsa Família -pago pelo governo federal- e a pensão de outras duas filhas.

A história de Edicleide Maria dos Santos é apenas um dos relatos de gravidez e abandono ouvidos pela Folha em seis bairros carentes da cidade, vizinhos às obras iniciadas em 2007.

Líderes comunitários, moradores, funcionários da prefeitura e conselheiros tutelares afirmam que "dezenas de mulheres" -muitas delas, adolescentes- engravidaram durante os três anos em que cerca de 4.000 operários permaneceram no local (em todo o trecho sul, foram 11 mil empregados diretos).

"Foram muitas crianças órfãs, porque o pai sumiu e retornou para seus familiares", diz Evaldo Carvalho, 43, líder comunitário do Parque Los Angeles.



Dizem que este é o verdadeiro pai dos "filhos do Rodoanel"

"PAI DE ONZE"

O município não tem o levantamento dos casos. Porém, em 2008, com os alojamentos já apinhados de operários, houve aumento de 31% no total de grávidas na cidade -e de 61% de gestantes com menos de 20 anos.

Em quatro das cinco unidades de saúde que atendem bairros do entorno da obra, houve aumentos de 40% a 82% -e de 73% a 91% no caso de gestantes adolescentes.

A prefeitura ressalta que, como houve aumento também em regiões distantes da obra, "não é possível concluir categoricamente que houve aumento significativo dessas ocorrências por causa dos relacionamentos fortuitos de operários do Rodoanel com as mulheres da região".

Nos cinco dias em que percorreu a região, a Folha conversou com seis mães, além de parentes e vizinhos de outras nove -total de 15 casos.

Um conselheiro tutelar que pede para não ser identificado confirma que foram "dezenas" -fora os casos que não chegaram ao conselho e os das maiores de idade.

No setor da conselheira Érica Santana, foram cinco adolescentes, entre 15 e 17 anos -além de denúncias de que um operário engravidou 11 meninas no bairro Areião.

Projetos sociais focaram os removidos
Segundo a Dersa, responsável pelas obras, pouco foi feito em relação ao impacto causado às famílias que ficaram na região
Gerente da estatal diz que os projetos serão ampliados durante a construção do trecho norte do Rodoanel

A Dersa, empresa do governo estadual responsável pelas obras do Rodoanel, admite que os projetos sociais do trecho sul foram voltados para as famílias removidas e que pouco foi feito em relação aos impactos causados às que ficaram na região.

Por isso, diz o gerente da Divisão de Gestão Social, Luciano Dias, a Dersa pretende ampliar os projetos sociais no trecho norte, cuja construção deve começar em dezembro. Ele questiona, porém, a relação direta entre a obra e a alta de gestantes.

Dias afirma que a licitação do novo trecho deverá incluir o compromisso das empreiteiras em trabalhar junto com a Dersa nas ações sociais, inclusive dentro dos canteiros das obras.

Ele diz que o crescimento de grávidas não foi cogitado porque não ocorreu no trecho oeste. "Já que teve uma situação, vamos ver o que a gente pode fazer contra isso em relação ao trecho norte para que não se repita".

Dario Rais Lopes, secretário de Transportes na época da contratação da obra, na gestão anterior do governador Geraldo Alckmin (PSDB), diz que não tinha como se prever esse impacto. Ele defende que essa preocupação seja incorporada.

Mauro Arce, secretário de Transportes durante a execução da obra, na gestão José Serra (PSDB), foi procurado, mas não deu entrevista.

A Secretaria de Estado da Saúde enfatiza que a responsabilidade pela orientação de planejamento familiar é dos municípios e que enviou recursos no período.

CADASTROS

Rodolfo Strufaldi, coordenador do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Prefeitura de São Bernardo, atribui a alta de gestantes à melhoria do cadastro da prefeitura, mas admite que a obra pode ter contribuído.

Segundo ele, a prefeitura reagiu rápido, com aumento de agentes comunitários (de 100 para 1.115 desde 2008), grupos de discussão nas UBSs e distribuição de preservativos aos operários.

Dos três consórcios que atuaram na região, o Queiroz Galvão/CR Almeida não respondeu aos questionamentos e se limitou a dizer que "se pautou pela execução responsável da obra e sempre cumpriu os requisitos estabelecidos em contrato".

Já o Odebrecht/Constran diz ter feito campanhas de prevenção, incluindo temas como DST, planejamento familiar e reuniões com a comunidade. O Andrade Gutierrez/Galvão Engenharia acrescentou ter abordado também prevenção contra drogas e alcoolismo.






Obras do Rodoanel deixam "órfãos" na região do ABC
Mães solteiras da região enfrentam o preconceito
Crianças são chamadas de "filhos do Rodoanel"; assunto atrai desconfiança e ironia
Na periferia de São Bernardo do Campo, o tema é tabu; moradores relatam aumento de brigas e prostituição


"Filha do Rodoanel!" -da janela da manicure de 35 anos dava para ouvir uma vizinha gritando, em referência à criança de um ano e nove meses que ela teve com um mestre de obras da via.

"Preconceito existe. Fazem piadinha falando que somos "mães do Rodoanel", mas tenho que focar na vida daqui pra frente", diz.

O tema é tabu no Parque Los Angeles, periferia de São Bernardo do Campo, onde mora a manicure. Falar sobre grávidas e Rodoanel ali geralmente resulta em silêncio, desconfiança, evasivas, negativas ou risadinhas.

"O povo não gosta de falar sobre a gente porque é coisa íntima, eles têm medo de que a gente ache ruim", diz a empregada doméstica Gizele Cerqueira, 30, que afirma não sofrer preconceito.

Ela sabe que o pai de sua filha, de dois anos e meio, é de Alagoas, mas ignora seu paradeiro. A criança não foi registrada e ele sumiu quando ela tinha 15 dias de vida.

A autônoma Alcione Amaro, 30, do Parque Los Angeles, teve mais sorte. Seu namorado da época, topógrafo mineiro, foi embora quando ela estava grávida de dois meses, deixando apenas um telefone. "Eu ligava todo dia, fiquei desesperada porque não conseguia contato."

Oito meses depois, já com o bebê nascido, ela conseguiu. Desde então, ele paga a pensão do menino.

Os moradores também falam da presença de meninas, de 12 a 17 anos, que iam para os alojamentos, de mochila e tudo, direto da aula.

FESTAS E PROSTITUIÇÃO

Outros impactos da obra apontados pela comunidade são: aumento de prostituição, consumo e tráfico de drogas, acidentes, brigas e isolamento de bairros. Jornais como o "São Bernardo Hoje" e o "Diário do Grande ABC" já haviam apontado os problemas, que, segundo eles,também atingiram Santo André e Mauá.

À epoca, moradores alugaram casas e chácaras aos trabalhadores. "Tinha muita menina de 15 anos no alojamento com 40 peões", conta a manicure Maria Cristiane Santos, 21, que engravidou de um operário do Piauí.

"Havia brigas e confusão, a gente nem dormia", lembra a dona de casa Cátia Cirilo, 36. Também havia mais bares abertos, que viviam cheios.

"Houve um momento de abundância econômica e, depois que esses homens voltaram para suas terras, deixaram as dívidas para trás", diz o vereador Paulo Dias (PT). O prefeito Luiz Marinho, do mesmo partido, não deu entrevista.

Marinei Marques, 51, foi uma das que não recebeu por algumas roupas que lavou.

Mas ela guarda cuidadosamente um bilhete deixado por um gaúcho que conheceu: "Mara, saiba que você foi minha gostosa."

Ela não engravidou, mas entrou em depressão quando o namorado foi embora e trocou o número do celular.

"Morro por causa daquele homem!", diz, entre gargalhadas.

Da Folha de São Paulo de 24/07/2010

Rodoanel deixa o povo sem água em Mauá

Só tem água que passarinho não bebe


Fornecimento de água é precário no Pq. São Vicente

Moradores do Parque São Vicente, em Mauá, reclamam de problemas no abastecimento de água. No bairro, é comum o fornecimento ser interrompido ao menos duas vezes por semana. E não há outra alternativa a não ser esperar pela volta do serviço. Roupas sujas se acumulam nas máquinas de lavar e nos tanques, pias ficam cheias de louça, e um dos casos mais graves é na Escola de Educação Infantil Galileu, que atende 40 crianças de três meses a 5 anos.

Quando a água não chega no encanamento, a diretora da unidade, Kenia Azevedo Fernandes, começa a pensar em alternativas para não deixar a criançada suja e com sede. Compra garrafas de água mineral, pede a compreensão dos pais e liga constantemente para o Sama (Saneamento de Mauá). A situação persiste há mais de um ano.

Em dezembro, por exemplo, ela pediu aos pais dos alunos que levassem um garrafão de água cada um. Nesta semana, o banheiro dos meninos ficou interditado. "Os garotos precisaram usar, mas a caixa-d'água estava vazia e eles não puderam", disse Kenia.

Ela não deixou o problema ficar assim por muito tempo. "Comprei várias garrafas de água. Mas é ruim isso, pois teve vezes que as crianças foram embora sem banho", queixou-se.

Na rua do técnico de segurança Marcos Edvaldo Delgado, 40 anos, a água voltou apenas na tarde de ontem. Consequências: varal de casa cheio de roupas e muito mais ainda dentro da máquina de lavar. "E a conta chega todo mês, sem atraso. Isso é um desrespeito com os moradores", reclamou.

As queixas são repassadas para a autarquia. Mas a dona de casa Maria de Fátima Azevedo, 47, disse que cansou de ligar. "Liguei tanto um dia que a atendente falou que eu deveria levantar à noite, quando a água costuma chegar, e lavar minhas roupas", contou.

A Sama informou, em nota, que os problemas no abastecimento são causados pelas obras do Trecho Sul do Rodoanel e por construções no bairro. "Obras que em inúmeros momentos danificaram as redes de abastecimento, causando transtornos tanto aos moradores daquele bairro quanto de outras localidades atendidas pela mesma rede de distribuição."

Do Diário do Grande ABC

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pedágio do Trecho Sul deve começar neste mês


A cobrança de pedágio no Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas deve ser antecipada para julho. O Consórcio SPMar – responsável pela administração da rodovia – já cumpriu mais de 70% das obrigações previstas no contrato de concessão e pretende encerrar tudo até o próximo mês. Após essa data, caberá à Artesp, agência reguladora estadual dos serviços de transporte, auditar as ações e aprovar o início da cobrança.

O contrato de concessão foi assinado no dia 10 de março. O consórcio vencedor da licitação ficou responsável pelas obras de construção do Trecho Leste e também pela administração do Sul, podendo em contrapartida explorar os pedágios. A cobrança deve ter início em até seis meses a partir da assinatura e após a conclusão de algumas intervenções, como a instalação de placas de sinalização e reparos no asfalto.
“Não vou falar em início da cobrança de pedágio, porque isso quem define é a Artesp. Mas eu acredito que é possível completar meus trabalhos até julho e aí vai ser submetido à Artesp que vai aprovar a cobrança”, diz o diretor executivo do consórcio SPMar, Marcelo de Afonseca, na manhã desta quinta-feira, durante evento no qual apresentou um balanço dos três primeiros meses de concessão da rodovia.

O consórcio SPMar venceu a licitação em novembro do ano passado após propor o menor valor para o pedágio do Trecho Sul: R$ 2,19. A correção do valor pelos índices de inflação deve fazer com que o pedágio fique entre R$ 2,40 e R$ 2,50. Haverá praças de pedágio em todas as saídas da via, mas os motoristas só pagarão uma única vez.

Um dos principais problemas no Trecho Sul, a falta de sinal de celular em determinadas regiões, deve ser integralmente resolvido apenas no fim do ano. A instalação das torres de telefonia começou apenas em março e estão atualmente em operação 9 das 14 previstas – o que proporciona uma cobertura em 70% da rodovia. A previsão é que as demais torres entrem em operação até dezembro.

A comunicação também é agravada porque os telefones de emergência (call box) estão previstos para até março do ano que vem. O SPMar afirma que intensificou as rondas com as viaturas para chegar mais facilmente a pessoas com problemas. “Coloquei todos os meus veículos para rodar e não apenas as viaturas de inspeção. Fazem o trajeto também os guinchos e o veículo de apreensão de animais. Por isso nós passamos em média a cada 15 minutos em cada ponto da rodovia”, diz Afonseca.

Nos três meses, foram registrados 45 acidentes, sendo que em metade deles houve feridas. Duas pessoas morreram. O consórcio também atendeu nesse período 5,2 mil motoristas com problemas mecânicos, pneu furado, entre outros fatores – em média um a cada 30 minutos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dersa só entregou um parque, de sete, para compensação ambiental do Rodoanel Sul

Municípios cortados pelo Trecho Sul foram informados de que os parques seriam entregues pelo Dersa até o fim do ano passado. A empresa seria responsável por desapropriar as áreas, cercá-las e construir prédios e equipamentos necessários para depois entregá-los às prefeituras.

Para fazer a compensação ambiental pela obra do Trecho Sul do Rodoanel, sete parques foram previstos – Bororé, Varginha, Itaim, Jaceguava, Riacho Grande, Embu e Itapecerica. No entanto, após mais de um ano de funcionamento da rodovia, o Dersa (empresa ligado ao governo do Estado) entregou apenas um – Embu, em novembro de 2009.

Municípios cortados pelo Trecho Sul foram informados de que os parques seriam entregues pelo Dersa até o fim do ano passado. A empresa seria responsável por desapropriar as áreas, cercá-las e construir prédios e equipamentos necessários para depois entregá-los às prefeituras.

Até agora, apenas o parque de Embu foi repassado. Todos os outros ganharam novo prazo de entrega: o segundo semestre deste ano. Mas até a única unidade considerada pronta pelo Dersa está distante de se tornar parque. "O que se está chamando de parque na verdade é um terreno desapropriado e cercado, que era o combinado desde o início com a Dersa. O parque somos nós agora que vamos fazer", diz o prefeito de Embu, Chico Brito (PT).

O investimento da empresa ligada ao governo estadual nesse parque foi de R$ 27,5 milhões (R$ 27 milhões para desapropriação e o restante para cercar o terreno). A prefeitura elaborou um projeto de R$ 32 milhões. Um quarto desses recursos já foi obtido com o governo federal, o que possibilitou o início das obras.

Desapropriação

O maior problema para tirar os outros parques do papel envolve dificuldades para desapropriar terrenos. No caso dos parques do Rodoanel, no entanto, os municípios não aceitam terrenos com pendências. O resultado é que muitos já estão cercados e com portarias, mas na prática são terrenos abandonados e sem utilidade. O que era para ser um parque aberto à população ou unidade de conservação se torna local de mato alto e alvo de vândalos. "O novo prazo que nos deram é dezembro. Enquanto isso, a região sofre ações de vândalos, parte da cerca foi roubada", conta o consultor da prefeitura de São Bernardo Ronaldo Tonobohn.

Tantos entraves fizeram com que o própria Derso repensasse seu modelo de transferência de parques. A empresa afirma que, em empreendimentos futuros, como o Rodoanel Norte, vai destinar recursos para que a desapropriação seja feita pelas prefeituras. O Dersa informou que ainda não foi possível estimar os prejuízos financeiros com as ações dos vândalos. "Os custos estão sendo apurados por meio de levantamentos ."

*com informações do jornal O Estado de S. Paulo

domingo, 1 de maio de 2011

Moradores criticam obra de passarela

"Acabou nosso sossego." É assim que os moradores dos bairros do entorno do Trecho Sul do Rodoanel, em Santo André, resumem a vida que levam depois que o complexo foi inaugurado. Moradores do bairro Clube de Campo reclamam que, além da poeira e das rachaduras nas casas por conta das máquinas pesadas usadas na construção, agora eles não dormem com o barulho dos caminhões que transitam na via.

Como o bairro atualmente está separado em duas partes pela rodovia, para chegar ao outro lado os moradores costumam ir por baixo da via, por meio de uma alça construída para a passagem de carros. É ali também que está situado o ponto de ônibus mais próximo.

Na noite de hoje e início da manhã de amanhã as proximidades entre o Km 83 e o Km 84 do Rodoanel ficarão interditadas para lançamento das duas últimas vigas da construção de uma passarela que ligará as duas partes do bairro. Segundo trabalhadores da obra ouvidos pela equipe do Diário, o serviço deverá ser concluído dentro de aproximadamente dois meses.

Para os moradores, a passarela não deve amenizar em quase nada suas dificuldades atuais. Por ser um trecho mal iluminado e que deverá ficar encoberto pelos morros da margem da pista, os moradores continuarão optando pela passagem por baixo da rodovia, porque acreditam que a parte superior deverá ser mal iluminada e insegura. "Pelo menos ali (por baixo da pista) tem movimentação de carros até tarde da noite", comentou o vigilante Ubiratan Coutinho, 28 anos.

O diretor executivo da SPMar, concessionária que trabalhará com a Dersa na construção da passarela, Marcelo Afonseca, disse que a obra deverá seguir um padrão e, por isso, contar apenas com grades de proteção. Não estão previstos no projeto postes de iluminação.

"Vai ser mais um ponto de encontro de usuários de drogas", opinou uma moradora do bairro.

EXEMPLO

O SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) possui 60 passarelas nos 177 quilômetros de extensão. Em 2010, a concessionária registrou 82 atropelamentos em todo o SAI, resultando em 24 mortes. Nesses três primeiros meses do ano, foram dez atropelamentos com quatro mortes. "As ocorrências acontecem nas proximidades da zona urbana, sendo boa parte delas a menos de 200 metros de uma passarela", informou a Ecovias.

Fonte: DGABC

dica da companheira Elisa




segunda-feira, 21 de março de 2011

Um retrato do Rodoanel

Às vésperas de completar um ano, trecho sul ainda apresenta uma série de falhas, como falta de iluminação e passarela inacabada

ELTON BEZERRA

São 20h de uma quarta-feira e a pista do km 70 do trecho sul do Rodoanel está totalmente iluminada. Só que pelos faróis de carros e caminhões que trafegam na altura do acesso à rodovia dos Imigrantes. Naquele trecho, não há iluminação pública.

Esse é apenas um dos problemas encontrados pela sãopaulo quando percorreu, durante três dias e em horários diferentes, os 61,4 km do trecho sul do Rodoanel, que comemora um ano de existência no próximo dia 1º de abril.

A Secretaria Municipal de Transportes avalia que a nova alça ajudou a melhorar o trânsito na capital. No ano passado, a lentidão média nos horários de pico ficou abaixo dos 100 km pela primeira vez desde 2007, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Isso num ano em que a frota cresceu e beirou os 7 milhões de veículos.

Em toda a cidade, o congestionamento caiu 24% em dezembro de 2010 em relação ao mesmo período do ano anterior, ainda de acordo com a companhia. Na abarrotada avenida dos Bandeirantes, por exemplo, a queda foi de 69%.

Mas o trecho sul tem falhas como uma passarela inacabada, painéis desligados e falta de telefones públicos.

Além disso, não há postos de combustível e o sinal de celular é fraco ou inexistente, o que contribui para a sensação de insegurança na maior parte do trajeto.

O motorista Alceu Estevão da Cruz, 44, conduziu seu caminhão quebrado por mais de 30 km até a base de apoio ao usuário em busca de um telefone.

"Se paro onde quebrei, até minha vida correria risco", queixou-se. Procurada pela sãopaulo, a Dersa, responsável pelo trecho sul até o dia 10 de março (quando assumiu o consórcio SPMar), informou que não há planos para a instalação de telefones públicos nem de postos de combustível no Rodoanel.

Afirmou, ainda, que o sinal de celular é de responsabilidade das operadoras e que nove torres de captação estão em operação e outras cinco serão instaladas.

Quanto à passarela inacabada, a Dersa disse que ela deve ser concluída em até 90 dias. De acordo com a estatal, os quilômetros 70, 73 e 77 sofrem com falta de iluminação porque a AES Eletropaulo ainda não ligou todos os pontos de luz. A companhia de energia, por sua vez, disse que "as datas para a ligação estão sendo agendadas com a Dersa".

Quanto à falta de luz no km 48, a estatal afirma que a iluminação naquele ponto "está funcionando normalmente". Já a Eletropaulo diz que não houve falha no fornecimento de energia no local. Barreira anti-ruído só beneficia área nobre
Obra atende a condomínio, mas não chega a região de baixa renda

Na altura do km 13 do trecho oeste do Rodoanel, dois muros de concreto acompanham o motorista que segue no sentido Régis Bittencourt. A obra vai proteger os ouvidos dos moradores do residencial de luxo Tamboré 1.

A poucos metros dali, o bairro Parque Imperial, de baixa renda, também deveria contar com a proteção, mas sofre com o barulho.

Desde a inauguração do trecho oeste, em 2002, estava prevista a construção de isolamento acústico nas duas áreas. Mesmo assim, a Dersa, responsável pelo projeto na época, não ergueu as barreiras.

Cansada de esperar pela obra, a associação dos moradores da área nobre entrou na Justiça em 2003. Na ação, o Ministério Público pediu a extensão do benefício aos moradores do Parque Imperial.

Dois anos depois, a Dersa foi condenada a construir o muro. Segundo o advogado Sergio Kehdi Fagundes, que representa os moradores de Tamboré, a associação e a CCR RodoAnel (atual operadora do trecho oeste) fecharam um acordo em 2010, e as barreiras começaram a ser erguidas perto das casas de alto padrão.

Mas a obra não encerra a batalha na Justiça. Os moradores de Tamboré querem R$ 5 milhões pelo atraso na construção.

Um passo nesse sentido foi dado em fevereiro, quando a Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões de uma conta do DER (Departamento de Estradas e Rodagem do Estado de São Paulo), para assegurar a construção da barreira no Parque Imperial e o pagamento da multa.

O DER e a Dersa entraram com recursos e aguardam julgamento. A CCR estuda soluções para diminuir o ruído no Parque Imperial.

Fonte: Revista da Folha de 20/03/2011